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“Argentino buziano” sonha com livro biográfico para contar histórias de superação

Quem costuma passar pela praça Santos Dumont, no Centro de Búzios, certamente já viu Jorge Alberto Rodriguez com as mãos à obra. O argentino, que já pode ser considerado um buziano depois de 33 anos na cidade, confecciona lindos quadros feitos de areia.

“Sou da época em que Búzios nem tinha polícia”, recorda aos risos.

Em seu carrinho adaptado com a ajuda de um cabo de vassoura, como ele mesmo define, Jorge faz arte e conta histórias como ninguém. Histórias essas que são recheadas de dificuldades e superações, mas que caminham para um final feliz. Em breve, como assim deseja o artista, tais relatos estarão em um livro biográfico.

“Minha missão na Terra é escrever esse livro”, declara com afinco.

Jorge teve Poliomielite quando criança e até hoje enfrenta as consequências da paralisia infantil. As muletas, por exemplo, são amigas inseparáveis desde sempre, até mesmo quando foi deixado para a adoção pelos pais, que eram cegos.

Mas as tantas adversidades encontraram um oponente à altura, e Jorge nunca se deixou abalar. Quando era mais novo, foi campeão de motocross e de natação.

“Hoje eu tenho 60 anos e vejo que aprendi a voar com as minhas limitações. Sempre andei com muletas, mas também sempre fui esportista. Conheci vários lugares do mundo. Tenho três filhos e tive três esposas”, conta.

Como se já não bastasse a batalha contra a paralisia, o artista também sofreu dois acidentes de carro que mudaram a vida dele. No primeiro, a roda de um caminhão passou por cima do carro em que estava. Já o segundo, há seis anos, trouxe consequências mais graves.

“Eu sofri um acidente de trânsito que me deixou entre a vida e a morte. Fiquei quatro meses internado num hospital de Araruama. Eu só mexia a cabeça, não falava nem nada. Minha esposa amada, Verinha, faleceu de tristeza com um infarto com 34 anos, na época em que eu estava em coma. Os médicos dizem que foi um milagre eu ter sobrevivido”, relata.

Após tanto drama, que será contado com maiores detalhes no livro, Jorge foi apelidado pelos amigos de “sete vidas”. E essa experiência de quase morte, inclusive, representa a espiritualidade do morador de Búzios.

“Eu senti minha alma saindo do meu corpo. Apesar de tudo, sou um guerreiro! Deus me mandou de volta à Terra para acabar com a missão de contar minha história nesse livro”, reafirma.

Agora, em meio à pandemia, o argentino conta os dias para voltar com a rotina de trabalho na praça Santos Dumont, e deixa um recado para a população buziana.

“O pessoal da Prefeitura costuma brincar dizendo que eu já sou patrimônio de Búzios. Tenho enorme carinho por essa cidade. Eu desejo que Deus abençoe a todos e espero que isso tudo passe. Agradeço aos guardas municipais, policiais, à Secretaria de Saúde que cuidou muito de mim”, encerra o artista, por ora, enquanto as outras histórias ainda não são publicadas no livro.

Por Juan Rodriguez

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