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Com coronavírus, mãe perde os dez primeiros dias de vida do filho e só pode tocá-lo com luvas

‘É difícil, mas vamo passar por isso. E isso será um pesadelo superado’, diz a espanhola

Vanesa tem que usar luvas e máscaras para evitar o contato com a pele do filho Foto: Foto cedida pela família Carrilo Muro/AFP/Family Handout
Vanesa tem que usar luvas e máscaras para evitar o contato com a pele do filho Foto: Foto cedida pela família Carrilo Muro/AFP/Family Handout

MADRI – Após descobrir que estava com coronavírus no final de sua gravidez, a espanhola Vanesa Muro teve que ficar separada de seu filho por dez dias logo após dar a luz à criança. Já em casa com o pequeno Oliver, ela e o marido — que também testou positivo — estão proibidos de ter contato com o bebê sem usar luvas e máscara para evitar o contágio.

— É muito difícil — desabafa Vanesa, em sua casa na capital espanhola, epicentro da pandemia na Espanha, onde mais de 10.000 pessoas já morreram pela Covid-19. — Ele agarra seu dedo, coitadinho, e agarra o plástico, não agarra você. Mas cada dia que passa é um dia a menos. Tenho que pensar desse jeito para não ficar deprimida — explica a mulher de 34 anos.

Vanesa vinha se preparando para fazer uma cesárea a partir do dia 16 de março, mas tudo teve que mudar quando sua avó, com quem tinha contato diário, contraiu o vírus. A idosa acabou falecendo depois.

No dia 12 de março, ela e o marido Oscar Carrillo receberam os resultados positivos para o coronavírus e foram correndo para o Hospital Universitário La Paz.

— Oscar nem pôde entrar, me deixou ali na porta da emergência — contou.

Os médicos decidiram fazer a cesárea no dia seguinte.

— Foi um misto de sentimentos, horrível — disse Vanesa. — Tinha medo de contagiar o bebê, estava enfrentando tudo sozinha, sem meu marido, e sendo atendida por médicos completamente cobertos com equipamentos de proteção.

Felizmente, Oliver nasceu saudável, em 13 de março, com 3,6kg e 50cm. Ele foi imediatamente colocado em uma incubadora e isolado até a realização do teste que deu negativo para o coronavírus.

Após 48 horas de recuperação no hospital em um isolamento quase total —  a equipe médica entrava o mínimo possível no quarto, por falta de equipamentos de proteção —, Vanesa foi liberada. Mas teve que voltar para casa sem o bebê.

— Parece bobagem, mas mesmo estando distante sete andares dele, ali estávamos mais perto do que quando voltei para casa — lembrou.

Somente dez dias depois, no dia 23 de março, Vanesa e Oscar puderam buscar o bebê, usando luvas e máscaras.

— Ei, campeão, vamos para casa agora — foram as primeiras palavras de Vanesa para o filho em um encontro muito emotivo. — Foi como se ele tivesse acabado de nascer naquela hora.

— Foi o momento mais lindo que vivi em toda a minha carreira — contou Arantxa Fernández, psicóloga do Hospital Universitário La Paz, que enviou fotos e vídeos de Oliver aos pais enquanto ele permaneceu no hospital.

Os pais descreveram esse apoio como “vital”.

Apesar da felicidade de ter o bebê em casa, os pais admitem que é difícil não ter contato sem proteção. Passados os primeiros 14 dias desde que foram diagnosticados com o coronavírus e como não há mais teste disponíveis, eles precisam continuar usando luvas e máscaras.

— Eu ainda não toquei o meu filho sem as luvas… estamos contando os dias para a quarentena acabar e poder tocá-lo, beijá-lo — afirma Oscar.

Os pais de primeira viagem também não podem recorrer à ajuda da família. Ainda segundo Oscar, apesar dos meus sogros morarem muito perto, por causa do confinamento parecem viver a quilômetros de distância.

— É difícil, mas vamo passar por isso. Em breve, ele terá um mês e já poderá ir para rua. Conhecerá os avós, os tios e tias. E tudo isto será um pesadelo superado — resume Vanesa.

Fonte: O Globo

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