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Ministério da Saúde diz que cloroquina é promissora, mas não deve ser comprada nas farmácias

Diretor da pasta afirma que remédios de uso contínuo para pressão arterial e diabetes devem ser continuados e que ibuprofeno pode ser substituído por recomendação médica

O ministério mantém recomendação expedida ontem de que o ibuprofeno seja substituído por indicação médica Foto: Shutterstock
O ministério mantém recomendação expedida ontem de que o ibuprofeno seja substituído por indicação médica Foto: Shutterstock

BRASÍLIA — O Ministério da Saúde apelou à população que não compre remédios nas farmácias com cloroquina e hidroxocloroquina, usados em geral no tratamento de malária, para coronavírus. Segundo Denizar Vianna, secretário de Ciência e Tecnologia da pasta, há uma hipótese de que as substâncias ajudem no tratamento do covid-19, mas é preciso que estudos sejam feitos ainda. Além disso, ele destacou que o SUS oferta tal medicamennto.

— Não façam isso (comprar o remédio na farmácia). Primeiro porque o Ministério da Saúde tem condição de produção muito grande. Hoje, já é disponibilizado. Se estudos mostrarem esse tipo de beneficio, poderemos prover esse tratamento para a população.

Vianna destacou que a OMS fará um estudo amplo para verificar se os remédios de fato têm boa resposta para combater o novo coronavírus. Ele citou uma pesquisa internacional com 20 pacientes, mas ainda pequeno em relação ao necessário:

— Os dados são promissores, existe uma plausibilidade biológica de que esse mecanismo de ação faça sentido, só que os estudos ainda são insuficientes.

Quanto aos medicamentos de uso contínuo para diabetes e hipertensão, como captopril e losartana, amplamente distribuídos pelo SUS, a recomendação é que os pacientes não suspendam. Vianna disse que, apesar de um editorial na revista científica de prestígio Lancet, falar de possíveis prejuízos relacionados a essa classe de remédios e o coronavírus, não há evidências.

Ele afirmou que parar de tomá-los pode causar mais prejuízo do que benefícios, lembrando que a população idosa é a que mais faz uso desses medicamentos, exatamente a que é mais vulnerável ao coronavírus.

— Não modifiquem suas prescrições — disse.

Quanto ao ibuprofeno, remédio para inflamação que também foi citado por pesquisas como possível facilitador de complicações no caso de coronavírus, o ministério mantém recomendação expedida ontem de que seja substituído por indicação médica. Ele lembrou que não há também evidências comprovando os prejuízos.

— Nossa recomendação foi que já que nesse caso existem outras opções terapêuticas, poderia haver uma substituição com recomendação médica. Isso está mantido.

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que a hidroxicloroquina e a cloroquina são registradas para o tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária. Destacou também que, apesar de serem promissores para o novo coronavírus, “não existem estudos conclusivos” e, assim, “não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação”. Por fim, ressaltou que a automedicação pode ser um grave risco à saúde.

Fonte: O Globo

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