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Índios da tribo Fulni -ô estarão em Búzios de 24 a 27 de janeiro para apresentações culturais de artesanatos

Búzios vai receber índios da Tribo Fulni-ô entre os dias 24 a 27 de janeiro. Eles estarão em Búzios para incentivar e divulgar a cultura índigena brasileira.

Marciara Frederico de Souza

A ação conta com apoio da empresária Melissa Reis. Para ela, difundir a cultura do Brasil para os estrangeiros é importante para que eles levem nos corações deles um pedacinho do país. Cultura única, alma única, no mundo!

Durante a semana, será divulgada a agenda da Tribo Indígena com exclusividade pelo Jornal Folha de Búzios.

Um pouco da história da Tribo Fulni-ô

Os índios da tribo Fulni-ô vivem no município de Águas Belas, em Pernambuco, numa aldeia de 11.500 hectares, localizada a 500 metros da sede da cidade. A população é de aproximadamente 3.600 índios.

Eram conhecidos, antigamente, como Carijó ou Carnijó, e não se conhece o tempo da sua existência.

A origem do nome Fulni-ô é muito antiga. Significa “povo da beira do rio” e está relacionada com o rio Fulni-ô, que corre ao longo da aldeia de Águas Belas.

Os índios têm convívio diário com os não-índios, são todos bilíngues, se vestem como os homens brancos, mas não perderam a identidade deles. São os únicos indígenas do Nordeste brasileiro que mantêm viva a língua nativa, a Yaathe (ou Yathê).

Procópio Zeferino da Cruz

A língua Yaathe, que significa “nossa boca, nossa fala, nossa língua” é oral, não possui cartilha. É aprendida pelos índios em casa com os familiares, no convívio doméstico e, segundo a professora Alieta Rosa, por intermédio de uma escola bilíngue que a aldeia possui. Inclusive, existe um livro com o registro gramatical da língua.

Maria del Rosário Amaral

Além da aldeia, a comunidade possui na reserva um outro local de moradia, onde habitam durante três meses por ano por ocasião dos rituais do Ouricuri.

O Ouricuri é um retiro religioso secreto, realizado anualmente nos meses de setembro, outubro e novembro, onde não é permitida a entrada de não-índios (mesmos os que têm qualquer tipo de parentesco com os Fulni-ô), pois é um espaço sagrado para eles.

Durante esse período, os indígenas se mudam para a outra aldeia, também chamada Ouricuri, distante cerca de cinco quilômetros do local onde habitam, levando quase tudo que têm, até os bichos de criação.

O que ocorre no Ouricuri é um mistério. Nem mesmo as crianças revelam o que se passa no evento. Sabe-se que durante esse período, os homens dormem em local reservado, o Juazeiro Sagrado, ao qual as mulheres não podem ter acesso. As rivalidades são esquecidas. As relações sexuais e a ingestão de bebidas alcóolicas são rigorosamente proibidas.

Até os anos trinta, as casas dos Fulni-ô eram construídas, exclusivamente, com a palha do ouricuri (planta da família das palmeiras). Hoje, a aldeia é composta por habitações individuais de taipa ou alvenaria.

Os índios vivem do artesanato da palha do ouricuri, comercializado nas feiras livres da região, da agricultura de subsistência e de alguma criação de bovinos e suínos. Ainda praticam a caça e a pesca, mas essas atividades estão quase em extinção, devido aos desmatamentos e à poluição dos rios da região.

Luiz Eduardo Frederico de Souza -TAFKEA

Suas manifestações culturais incluem a dança e a música. As danças dos Fulni-ô são inspiradas em vários animais e aves, sendo o toré a mais tradicional. Existem também a cafurna, uma dança cultural resultante da influência de outros grupos e uma conhecida como coco de roda, dançada com estilo próprio e que tem origem na cultura dos negros. As músicas das danças são cantadas em português e yaathe.

Usam como instrumentos musicais o maracá, o toré e a flauta. Tocam também instrumentos dos brancos, como clarinete, pistom, trombone, violão, guitarra. Possuem até conjuntos e bandas formadas.

Os Fulni-ô utilizam para curar doenças muitas plantas que sobreviveram ao desmatamento. Possuem um Centro Fitoterápico de Reprodução de Mudas e Essências Medicinais, mantido com o apoio da Fundação Nacional da Saúde e da Unesco, onde são cultivadas várias plantas que servem como remédios populares distribuídos na aldeia.

Como ornamentos e decoração, são produzidos machados de pedra, bordunas, arcos e flechas. O uso do cocar, pintura corporal ou adereços não são marcas dos Fulni-ô. Para eles, a origem do índio é a sua linguagem, por isso conseguiram mantê-la viva até hoje.

Por Bebeto Karolla

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