Folha de Búzios

Jornalismo como deve ser

Saúde | Educação

A importância do cuidado psicológico na adolescência

*Por Géssyca Souza

Amanhecemos na última quarta-feira (13/03) com uma notícia estarrecedora: dois jovens adentraram uma escola e atiraram em diversas crianças e adolescentes, fazendo oito vítimas fatais e muitos feridos. Por fim, os atiradores se suicidaram.

Embora seja inevitável prever uma tragédia dessas, devemos nos atentar aos sinais que os jovens e adolescentes nos dão no dia a dia. Pequenas evidências de que as coisas não estão normais. O gosto por temáticas violentas, dificuldade em socializar, muito tempo em redes sociais ou jogos virtuais, mudança de comportamento, entre tantas outras variáveis que merecem a nossa atenção. E não, isso não é responsabilidade só da escola, é dentro de casa que os sinais se fazem ainda mais evidentes.

Adolescentes passam por muitos conflitos nessa fase da vida e, embora eles geralmente evitem o diálogo, precisam muito de amparo e ajuda para resolver as dificuldades. Bullying, drogas, sexo, expectativas, notas, aparência, corpo em transformação… um mundo completamente desconhecido se abre diante desse jovem indivíduo.

Não é fácil saber como proceder. Muitos pais tomam a decisão de não interferir mais na vida dos filhos “quase adultos” porque entendem que precisam lhes atribuir responsabilidade e maturidade. Entretanto, esta não é a forma mais saudável e sensata de lidar com eles. Sair da infância é um rompimento muito marcante na vida de qualquer pessoa, se ver quase independente e responsável pelos próprios passos causa medo. E, nesse momento, os pais se fazem extremamente necessários. Os pais precisam continuar cuidando dos passos dos filhos, precisam continuar monitorando (com respeito e bom senso) as redes sociais e as pesquisas/interesses deles.

Juntamente com o cuidado dos responsáveis legais, a Escola precisa fazer um trabalho de acompanhamento desses jovens, identificar situações de risco como essas para que vidas sejam poupadas, para que não sejam criados novos indivíduos doentes e assassinos, novas vítimas de ataques como o que vimos e novos suicidas.

A Psicologia vive batalhando por um espaço definitivo nas escolas, em se fazer presente no ambiente escolar para identificar esse e diversos outros tipos de problemas entre crianças e adolescentes. Hoje é mais um dia para lamentar a falta de cuidado com os nossos jovens. Não sabemos os motivos que levaram esses dois rapazes a fazer tal atrocidade, mas é inegável que eles precisavam de ajuda, que eles precisavam ser parados antes de tudo terminar de forma tão triste. São culpados por tirar a vida de pessoas inocentes, mas também são uma lembrança de que o sistema familiar, a Escola e o Estado precisam atuar em conjunto e com todas as forças na saúde mental dos indivíduos desde muito jovens.

Quando nos conscientizamos que a taxa de mortalidade por violência é maior entre jovens entre 15 e 29 anos, entendemos que a violência também é um problema de saúde pública. É preciso envolvimento de toda sociedade para que nossas crianças sejam poupadas de tamanho horror. O cuidado com a vida não pode parar.

%d blogueiros gostam disto: