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Entrevista com o Secretário de Educação de Armação dos Búzios

*Por Paula Pereira

No último dia 20/02, o Secretário de Educação de Armação dos Búzios, Carlos Eduardo Robalo, concedeu uma entrevista ao Folha de Búzios na secretaria a qual ele comanda desde o dia 1 de janeiro de 2019.

A entrevista se deu pelas diversas reclamações que os moradores do balneário vêm fazendo sobre a falta de vagas nas escolas. Mas o encontro também rendeu a discussão sobre outros assuntos referentes à educação da cidade, como falta de alguns professores, qualidade da merenda e nível de repetência nos colégios do município. O primeiro tema da entrevista foi sobre a falta de vagas nas escolas, principalmente para a demanda do ensino médio. O secretário disse que existe uma superlotação no INEFI, na Rasa e no Paulo Freire, no Centro. De acordo com Roballo, o índice de reprovação também contribuiu para a falta de vagas, uma vez que os alunos reprovados retêm a disponibilidade de essas vagas serem preenchidas pela demanda das escolas do segundo segmento do ensino fundamental. Cerca de 35% dos alunos do Colégio Paulo Freire foram reprovados em 2018 o que, para a secretaria de educação, é um índice altíssimo. Já o INEFI manteve essa taxa baixa, com apenas 10% de reprovados no turno da noite.

De acordo com Robalo, cerca de 1.000 alunos atendidos hoje no município não são moradores da cidade. Não apenas os da região que hoje pertence a Cabo Frio, que é parte da Vila Verde até a Maria Joaquina, mas também muitos que foram recebidos na rede municipal de Búzios devido a crise na educação de Cabo Frio que causou greves longas e a distribuição dessas crianças para escolas de municípios vizinhos.

No início do ano o secretário vistoriando obra nas escolas.

Inclusive, Roballo disse que participou terça-feira (19) de uma reunião em Cabo Frio e algumas turmas de 6° ano da escola Justiniano, no bairro cabofriense Maria Joaquina estão com apenas dez alunos enquanto a escola Municipal Ciléa Barreto e INEFI estão lotados nessa série.

De acordo com ele os alunos não querem estudar na rede de Cabo Frio pelas melhores condições e localizações das escolas de Búzios.

“São crianças e veja bem, a praça do INEFI é um atrativo para eles, com quadras, a piscina funcionando. Na Justiniano, não tem uma praça, uma boa iluminação e para essas crianças isso pesa na hora da preferência”.

De acordo com dados da secretaria de educação de Búzios, somando INEFI e Paulo Freire, cerca de 600 a 700 alunos estão matriculados no ensino médio municipal. E foi disponibilizado um ônibus para os alunos do Oliveira Botas saindo da Rasa. Atualmente o colégio do Estado está com onze salas que funcionam em três turnos com cerca de 35 alunos cada turma. No ano passado o colégio atendia cerca de 1200 alunos, tendo turmas com uma média de 37 alunos. O colégio estadual tem capacidade para receber uma boa quantidade de estudantes, porém é preciso pedir ao estado para que vá liberando a abertura de outras turmas e isso demanda tempo. O turno da manhã já está fechado com as onze turmas possíveis, os turnos da tarde e da noite, até então, estavam com nove turmas, com possibilidade da abertura de mais duas cada. A autorização para a abertura de novas turmas, de acordo com Robalo, já foi solicitada pela direção do Oliveira Botas, mas o Estado ainda não liberou.

Sobre os alunos de ensino médio que estão sem vaga, ele acredita que esses poderão ser absorvidos pelo estado, ou seja, pelo Colégio Estadual João de Oliveira Botas.

De acordo com o secretário, o corpo docente é praticamente o mesmo, uma vez que a maioria dos professores também dão aula no Paulo Freire. Robalo ainda fez referência à estrutura do Botas, que, segundo ele, possui ar-condicionado em todas as salas. Ele afirmou também que a manutenção do Botas é feita ainda pelo município, como capina, poda. O município fez a rampa de acesso para portadores de necessidades especiais. Ele aponta que sempre existiu essa parceria com o estado nesse sentido e que é o momento de o estado dividir também essa responsabilidade de ter como receber os alunos que a rede municipal de ensino ainda não conseguiu absorver. Inclusive, ainda de acordo com o secretário, até no segundo segmento do ensino fundamental o estado deveria, por lei, dividir o atendimento da educação com o município.

Creches no município

De acordo com Roballo, Búzios atualmente está à frente do que o Ministério Público determinou através do Grupo de apoio à Educação, que determinava que a cidade deveria ter pelo menos 50% da demanda de crianças em creches no ano de 2018. De acordo com o secretário, essa porcentagem é de 80% atualmente, ultrapassando a meta. Ainda sobre esse tema, o secretário de educação mencionou que, com a abertura da creche no Alto da Boa Vista, no próximo dia 28, a meta de 100% será cumprida pelo menos na Rasa, que já possui a creche municipal Marly Quintanilha da Silva. A creche nova será inaugurada dia 28 de fevereiro, porém somente estará aberta para aulas depois do carnaval.

Falta de professores na rede

O Folha de Búzios tem recebido diversas reclamações de pais de alunos sobre a falta de professores em sala de aula. Sobre isso, Robalo disse que a determinação da justiça para convocar os aprovados no concurso de 2012 tem tornado um pouco complexa a contratação de docentes.

“O juiz permitiu que fizéssemos contratações temporárias, porque os convocados têm até 30 dias para se apresentar e depois mais 30 para fazer os exames necessários para, só então, estar apto a assumir o cargo. Posteriormente esses contratados seriam substituídos pelos concursados. Nós fizemos um processo seletivo, entretanto essas pessoas já tinham sido aprovadas em concursos de outras cidades da região. Eu estou tendo que fazer um segundo processo no CEPED e não estou conseguindo contratar pois nem todos estão interessados num contrato de penas 3 meses, por exemplo. Mesmo assim, eu acredito que até o final dessa semana nosso quadro esteja fechado”, disse o secretário.

A nossa redação também recebeu pedidos de explicações sobre a quadra da escola Regina da Silveira que há anos vem sendo prometida à comunidade escolar. O secretário disse que essa indicação foi feita em um período em que as secretarias de esporte e educação estavam juntas, em uma só pasta. Depois não deu muito certo a junção e ocorreu a divisão das secretarias e esse orçamento ficou no esporte, mas como independente de secretaria, a prefeitura é uma só, Robalo conversou com o secretário do esporte para a conclusão da quadra e a licitação até já foi feita, mas o orçamento travou e agora foi pedido um orçamento a parte pois ela não foi concluída em 2018 e teve que entrar no orçamento para 2019. Resumindo, terá que novamente passar pela aprovação da câmara para ser concluída, segundo Robalo.

Sobre a falta de merenda nas escolas ele disse que todas as escolas estão com a situação normal e não há falta de merenda. Inclusive ele atentou para o fato de que o cardápio é publicado em Boletim Oficial pelo período de 15 dias. E se acontecer alguma alteração no mesmo ela deve ser verificada pelos diretores das escolas que são quem acompanham de perto o trabalho de quem prepara a comida nas escolas. Esse é um dos motivos do secretário considerar importante que os profissionais de nutrição compareçam às escolas também para acompanhar se tudo está correndo bem. Robalo disse que até o momento o município conta com 4 profissionais, 2 chegaram recentemente pelo concurso.

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