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Frágil? Por Géssyca Souza

Imagine uma caixa onde há impressa a frase “CUIDADO, FRÁGIL”. Você provavelmente carregaria essa caixa com cautela, teria medo de quebrar o seu conteúdo. Provavelmente também você a transportaria pensando o tempo todo se o que há dentro dela continua intacto, sem danos, afinal, é um conteúdo frágil, facilmente pode ser danificado.

Na última semana vimos repercutir uma notícia assustadora: uma mulher foi espancada por 4 horas por um homem que ela conheceu pela internet e com quem mantinha contato há aproximadamente 8 meses. Ela ficou desfigurada, mas sobreviveu.

Essa não é uma notícia isolada. Todos os dias nos deparamos com mulheres sendo violentadas de diversas formas. Abusam do nosso corpo, das nossas vontades, do nosso emocional. Carregamos o estigma de “sexo frágil”, nos tratam como incapazes de muitas coisas, nos subestimam frequentemente… mas o nosso corpo, dito como “frágil”, não costuma ser poupado, resguardado de nenhuma forma.

O cuidado que existe com uma simples caixa de papelão não é o mesmo com o corpo da mulher. Embora ambos carreguem o mesmo rótulo. FRÁGIL.

O Panorama da violência contra a Mulher no Brasil (2018) revela números assustadores a repeito do crescimento da violência doméstica desde 2011. Embora os gráficos revelem uma baixa de 2014 a 2016, as mulheres continuam sendo violentadas e mortas pelo simples fato de serem mulheres.

Em dados divulgados pelo “ligue 180”, somente em 2015 a Central de Atendimento a Mulher realizou 1 atendimento a cada 42 segundos. Desde 2005, são inacreditáveis 5 milhões de atendimentos. E não para. A cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de violência física.

Diante desses dados, chego à conclusão de que a mulher não tem sido vista como sexo frágil porque é sensível, porque tem uma estrutura corporal diferente do homem ou por qualquer outro motivo. Selaram o nosso corpo com a fita FRÁGIL na intenção de nos massacrar. O corpo frágil é o corpo que quebra, que amassa, que é subordinado. O corpo frágil é o corpo no qual o outro exerce poder absoluto de vida ou de morte. Não é um aviso de cautela, é um alvo nas costas.

Por isso, hoje, em nome de todas as mulheres, eu não vou falar sobre saúde mental, sobre bem-estar psicológico. Hoje eu vou pedir encarecidamente que a sociedade nos trate com o mesmo apreço que trata uma caixa de papelão de conteúdo frágil. Não nos quebrem, não nos matem. Por favor.

Para pedir ajuda:

180 – Central de Atendimento a Mulher

190 – Polícia Militar

Não fique calada. Denuncie.

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